estado da arte

Um estranho em Goa

April 14th, 2006

Já dizia o diretor Jorge Duran “as idéias estão no éter”. Esticando o dito: e o conhecimento está onde você puder alcançar.

Peguei emprestado com a escritora Elvira Vigna um livro chamado “Um estranho em Goa”, de José Eduardo Agualusa. Ele é um bom escritor angolano que já morou aqui no Rio de Janeiro, em Lisboa e Berlim, e tem pelo menos nove livros publicados.

Encontrei dois momentos curiosos, uma referência à origem da palavra e uma brincadeira com significados, que decidi passar para cá.

O primeiro fala da origem da palavra cavanhaque. Achei válido pois associei diretamente às origens de sadismo e masoquismo. Ou seja palavras que surgem do nome de alguém, de um nome próprio, que ganham significado devido a um hábito ou característica forte e marcante daquela pessoa.

No caso de cavanhaque, cá está:

” – Podes tentar desenhá-lo agora sem essas barbas? Só com o bigode e o cavanhaque, um pouco no estilo de Lenine…

- Ao estilo de Cavaignac, queres tu dizer, meu lindo. Louis Eugène Cavaignac, um general francês do século XIX que usava a barba assim aparada”.

A seguinte serve como exemplo da diferença de interpretação de uma mesma pergunta em diferentes lugares, lembrando que o todo de uma frase sempre é maior do que o significado unitário das palavras.Veja só:
“Sal disse-me que é de Loutolim. Perguntei-lhe então se toda a família nascera nessa aldeia. “Não”, respondeu impávido. “Eu nasci em Pangim“. levei alguns minutos a perceber que em Goa quando se pergunta a alguém, “where are you from?“, a pessoa não indica o lugar onde nasceu, e sim a aldeia de onde a família é originária.