Panorama Editorial
November 1st, 2006Saiu uma reportagem na revista Panorama Editorial falando do papel do tradutor no Brasil e sua importância nessa Babel literária chamada mundo. A revista lembra bem que escritores como Balzac e Dostoievsky não seriam conhecidos de brasileiros, chineses e
Mais na frente, a reportagem levanta a bola do anonimato. Aquele pessoa escondida dentro de casa tem agora seu nome reconhecido pelo bom trabalho, quase um pesquisador, um arqueólogo da palavra. É assim, alcançando novos portos com nossas caravelas, que a demanda por bons tradutores e bons trabalhos aumenta.
É importante lembrar que, se o papel do tradutor se destaca por essa multipolarização (roubando uma palavra usada na reportagem), o tradutor deve se empenhar em manter o caráter diverso das obras, e não afogar o autor original no estilo de tradução.
Tradução é um trabalho de recriação, mas os livros não podem ficar todos com a mesma cara. Ao traduzir, não se pode preservar o valor das palavras e se diluir a identidade do autor. Cada um tem as suas preferências e recursos, gosta de palavras curtas, rimas, palavras menos usuais, ritmo de construção. Alguns escritores investem pesado nos diálogos, fazem questão de diferenciar os registros, principalmente quando o livro envolve crianças e adultos. Não podemos passar por cima desse cuidado, desse carinho que o autor tem com a sua obra.
Continuemos a conquistar novos padrões de qualidade, mas sem deixar a forma esvaziar-se da essência.




