Tradução em tempos de guerra.
May 30th, 2008“Más de un centenar de países han acordado formalmente hoy en Dublín prohibir el uso de las bombas de racimo. Sin embargo, el debate continuará sobre las lagunas jurídicas que podrían beneficiar a potencias como Estados Unidos, que rechazó participar en las conversaciones que han llevado al acuerdo para su prohibición”. - El País
Gosto de consultar dois dicionários nessas sinucas.
Um é o Señas, um dicionário de ensino de espanhol para brasileiros. Ele é bem completo e explica primeiro em espanhol antes de dar o significado em português. O outro é o RAE, para os íntimos. É o diccionario de la lengua española de Real Academia Española. Nada menos.
A sinuca aí era com a palavra racimo.
Pelo Señas racimo é um “conjunto de frutos que cuelgan de um tallo común”, “conjunto de flores que nacen de um eje común” ou conjunto de pessoas amontoadas. Pelo primeiro o que vem em mente é cacho. Com as flores, inflorescência. Os dois conferem com o português, mas não casam bem com bombas.
O RAE segue a mesma linha. Fala de conjunto de uvas, frutas, flores… O que não resolve a situação.
A própria reportagem, mais adiante ajuda a entender o assunto:
“Las bombas de racimo contienen pequeños artefactos que al lanzarse desde aviones o por la artillería quedan diseminadas y explotan como minas. Sus detractores denuncian que provocan daños indiscriminados, ya que en ocasiones permanecen durante meses o años sin explotar hasta que accidentalmente alguien, en muchas ocasiones niños, se topa con ellas”.
Fica faltando só a tradução. E aí entra a bagagem de cada tradutor, a leitura de jornais e tudo mais que possa servir de fonte de informação (sim, Mr. Google).
A bomba de racimo é conhecida por esses lados como bomba de fragmentação.
Em inglês é cluster bombs, com direito até a vídeo no youtube. Se algum especialista em armas de guerra passar por aqui e quiser me passar nomes mais técnicos, é só mandar um e-mail, eu agradeço.
São tempos estranhos, inclusive para tradutores.




