April 30th, 2007
“Em um discurso transmitido no último dia 23, Sarkozy pedia aos franceses que se unissem “em torno dele“, mas o funcionário responsável pela colocação de legendas na tela preferiu digitar a seguinte tradução: “que se unam em torno de meu ego inflado“.
Leia na íntegra aqui.
Para não ficar só na piada, vejamos a versão do jornal El País.
El informativo de la cadena pública de televisión France 2, que se emite cada día en versión original subtitulada para EE UU, ha mostrado hoy una traducción inexacta y poco favorable para los intereses del candidato conservador a la presidencia francesa, Nicolas Sarkozy. Donde éste había dicho decía “Invito a los franceses a unirse a mi” los subtítulos dijeron “Invito a los franceses a inflar mi ego sobredimensionado“.
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March 26th, 2007
Calma.
É uma matéria de 2 páginas no New York Times, de “especialistas” em café conhecendo os cafés do Rio.
Já dá para imaginar os elogios, né?
Vou destacar um pedaço do final, inclui versões interessantes para sanduíches e cafezinhos.
“Get a cafezinho because you must (0.80 reais, or about 40 cents at 2.1 reais to the U.S. dollar), but be sure to sample the classic sandwiches like pernil (marinated roast pork) and rib roast (4.50 reais). Or for a lighter snack, get the classic combination of media (cafezinho with milk) with pão na chapa com manteiga (grilled buttered bread) for under 3 reais”.
“I chose to have my cafezinho black; other options include Carioca (“Rio-style” with added water), media (with milk) and pintado (just a few drops of milk)”.
Nem eu conhecia o pintado. O texto é engraçado, vale a pena ler na íntegra.
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January 15th, 2007
Continuando nosso intercâmbio com Portugal.
Dessa vez no futebol.
Sabe aquele goleiro que você não esquece nunca porque frangou? Lá em Portugal ele se chama guarda-redes. (e o frango hein… vou descobrir…).
Nada de jornal noticiando a próxima temporada do campeonato. Eles falam época! A próxima época terá muitas novidades, com a equipe tal e tal na primeira divisão. Ops. Equipe não, equipa, assim com A.
Para terminar, os zagueiros também entram na dança e recebem o nome de defesas.
Já pensou, “fulano de tal é um grande defesa” ou “e os defesas avançam no meio-de-campo”?
Ora pois.
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January 2nd, 2007
E não é que 2007 chegou?
Se alguém deixou comentários entre o Natal e o Ano Novo, desculpe. Foram quase 400 spams!! Para proteger a todos nós navegantes dos mares cibernéticos eu resolvi apagar tudo. Nisso, pode ter ido o seu comentário para o lixo. Não foi censura!
Vamos começar de leve aqui na Estado da Arte. O post saiu de uma conversa com um amigo de Portugal, que vive fazendo cursos de idiomas. Ele lembrou que nas novelas brasileiras que passam por lá o pequeno almoço sempre demora muito e a mesa é farta. Isso depois de eu comentar que todo dia tomo um bom café da manhã antes do trabalho, mas sem demora.
Quando eu falei do meu super suco de maçã com banana, descobri que lá não tem banana prata
e que esse meu amigo gosta mesmo é de suco de tuti fruti, que por aqui é sabor de chilete e olhe lá! Até arrisquei uma comparação com o frutas vemelhas, mas não deu. O tuti fruti tem de tudo.
Enquanto ele ria da minha dependência alimentar, lembrei que na Espanha também não tem banana prata. Estava ficando sem lugares para me esconder na Europa. Na Noruega nem existe uma palavra para banana. Por causa disso, lá foi ele lembrar como era o breakfast em espanhol. Desayuno! respondi, com direito a verbo desayunar.
Como os assuntos fluem na internet
Se você ficou curioso sobre como se fala café-da-manhã em norueguês… ahn… não ficou? Eu fiquei.
É frokost! Se quiser pedir uma bebida é drikke, comida é mat. Quer arriscar um pão com queijo? Et brød og en ost. Mas o melhor mesmo é farinha, que em norueguês é mel!
Para quem sobrevive com pão, farinha e queijo, a viagem está garantida. A Estado da arte não se responsabiliza pelos efeitos colaterais da pronúncia e da gramática norueguesa.
Se você for uma pessoa de sorte, pode pedir um brød e conseguir um salmão! Se tiver azar… melhor nem pensar. Será que na Noruega tem jiló?
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December 18th, 2006
Expressão é uma coisa meio doida. Dia desses nos deparamos com Ni Fu Ni Fa. Não veio de uma língua indígena nem foi lido em parede de pirâmide, é uma expressão em espanhol mesmo.
Ni fu ni fa é um “mais ou menos” que se assemelha ao nosso não fede nem cheira. Você gostou do cd novo da Norah Jones? Ni fu ni fa! Se tocar não dói, se não tocar eu agradeço.
Divertido, sonoro e versátil. E pode ser ensinado nas classes de alfabetização.
Claro que é impossível esbarrar com uma dessas sem ficar curioso quanto à origem.
De acordo com o professor de espanhol Thiago Vinícius, lá nos primórdios, o significado da expressão era um pouco diferente. Em mil novecentos e lá vai fumaça, quando Madrid “recebeu” a visitinha das tropas inglesas, era comum referir-se aos soldados usando o ni fu ni fa.
Ah, essa tropa ni fu ni fa! Que na verdade era uma forma reduzida de ni fu*k ni falla.
Em bom português nem **** nem sai de cima!
Como eu disse, versátil. Aposto que essa ninguém esquece.
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December 4th, 2006
Já que está chegando a época natalina, com rabanadas, damascos e peru desfiado dando sopa em cima da mesa, vamos falar de um assunto meio maluco: o nuts! Você já deve ter visto em legendas de filme, naquela cena em que o mocinho se pendura em cima do poço de lava flamejante para recuperar o rubi roubado, a mocinha tendo um ataque e gritando: Você é uma amêndoa!
Opa, alguma coisa errada. Tudo bem que amêndoa assada é uma delícia, mas… alguém perdeu o significado no caminho. Se normalmente nut é a hard-shelled dry fruit (Zane Publishing, Inc), ou seja, uma noz, mudando-se o contexto a palavra pode adquirir outros significados. No caso da legenda, o que a mocinha provavelmente falou foi You’re nuts!, que em bom português é Você está maluco!, com a variação politicamente correta Você perdeu o juízo!
Ainda na ceia de Natal temos a hard nut to crack, que pode ser literalmente aquela avelã que sempre estraga o quebrador ou um problema difícil de resolver, espinhoso.
Para encerrar esse tema cascudo, há também a expressão In a nutshell. Nutshell, como você deve saber, é a casca da noz. Já In a nutshell, em poucas palavras, quer dizer… hum… em poucas palavras.
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October 2nd, 2006
Todo mundo sabe. Se um amigo tradutor desapareceu, o mês foi cheio de trabalho. Aqui está sendo assim (e que venha mais). Acho que os clientes combinaram de mandar tudo em setembro e outubro. Devem ter uma linha exclusiva, igual aquele telefone vermelho do Batman e do Comissário Gordon. Tudo planejado.
Ainda assim, arrumamos um tempinho para falar das legendas do Festival de Cinema do Rio de Janeiro. A maioria estava ótima, resultado muito bom mesmo. São mais de 300 filmes em 2 semanas. Vocês podem imaginar o ritmo de legendagem do tradutor, não?
Como nem tudo são flores, a atenção se volta para o slogan desse Festival.
“O cenário já estava pronto só faltava o cinema”. Ganha um brinde quem achar a vírgula!
Para encerrar. A palavra slogan no Houaiss traz uma curiosidade: “Um grito de guerra entre antigos clãs escoceses”! Propaganda e Marketing é isso aí, já dizia aquele refrigerante.
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September 1st, 2006
Essa você pode guardar com carinho no seu bloco txt, pois não vai encontrar por aí tão cedo. Se bem que eu duvido muito que você esqueça este post e precise consultar qualquer anotação.
Estava passeando por um site de arte, quando encontrei reportagens sobre uma exposição greco-romana e na minha frente surgiu a palavra agalmatophilia. Fui para o dicionário atrás da tradução óbvia, agalmatofilia, mas nada. Só encontrei “agalm-”, um radical referente a estátuas, adornos, imagens. A pista parecia boa com o elemento philos ajudando, mas resolvi confirmar. Nesses casos, o melhor é conferir.
Buscando o significado na Internet, descobri que agalmatophilia tinha a ver com o rei Pygmalion.
Hein? Eu explico.Pygmalion foi o rei que criou uma estátua de marfim de uma mulher e se apaixonou por ela. Vênus, a deusa do amor romana, prestativa e encrenqueira como só, deu uma ajudinha e transformou a estátua em uma pessoa de verdade, para que os dois pudessem ficar juntos. 
Exposição greco-romana… agalm… pygmalionism… hum… começa a fazer sentido.
Mais uma espiada no dicionário e lá estava ela em português. Pigmalionismo. Esse palavrão (não que agalmatofilia seja mais simpático) refere-se ao sujeito que tem um fetiche por estátuas (daí estar na exposição) e manequins (uma versão mais atual). Há quem inclua bonecas de porcelana na descrição também.
Bem, a gente pode ficar sem entender o fetiche, mas o significado está explicadinho.
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May 10th, 2006
Eu (Eric) e David tivemos a oportunidade de fazer no mês de abril um curso com a Lia Wyler, tradutora dos livros da série Harry Potter, entre outros. A Lia é uma pessoa muito cuidadosa, que conhece manhas da profissão e está disposta a expandir o leque de opções, nunca encurtá-lo.
O curso é breve, 4 sessões de 2h30min cada. Durante as sessões são analisados textos dos próprios alunos e de outros tradutores. São textos de best-sellers e livros técnicos comparados com os originais, com direito a biscoitos de aveia e mel e folheados de canela maravilhosos.
No final, além das dicas de ferramentas de trabalho (alguns livros específicos, gramáticas, etc.) você certamente ficará mais atento às nuances da tradução.
Em junho/julho haverá uma nova rodada. Quem tiver interesse, é hora de se informar.
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April 25th, 2006
O aprendizado realmente está onde você menos imagina. Às vezes uma volta no supermercado faz você perceber algo ou conhecer um termo que te ajudará no futuro. Também é importante entender que a tradução mexe com todas as àreas. De uma hora para outra você pode ter que se tornar um especialista em aviação para traduzir um capítulo de um livro, ou saber nomes de aparelhos e exercícios por causa de uma personagem que trabalha em academia. Se o inverso também fosse verdade, alguns pequenos acidentes seriam evitados.
Eu e a velha esteira sem visor de plasma nos tornamos bons amigos. Já me acostumei a correr olhando para a televisão e fujo do close caption usando fone de ouvido. Geralmente, antes de começar o exercício, o aparelho pede que você digite tempo, inclinação, velocidade e peso para saber o tipo de exercício e fazer um cálculo aproximado das calorias perdidas ao final da correria. Por causa de uma tecla errada não consegui entrar o valor do peso, deixei para lá e corri.
Trinta minutos e muito suor depois, o exercício acabou. A esteira então me deu a seguinte opção: “aperte enter para o resumo do exercício“. Feliz e enganado, achei que conseguiria a informação das calorias perdidas. Apertei enter esperando que o painel mostrasse os quilômetros percorridos, tempo de ladeira e as tais calorias. Para minha surpresa a esteira voltou a funcionar com as configurações anteriormente digitadas de inclinação e velocidade.
Já matou a charada? A pessoa que traduziu as informações do painel não entendeu que “press enter to resume” significava “aperte enter para recomeçar“.
Quando depois do susto parei a máquina e encerrei o exercício apareceu o que eu esperava anteriormente: “sumário do exercício” que veio de summary.
A escolha de sumário ao invés de resumo provavelmente se deu pelo “resumo” errado de antes. Uma palavra usual em um visor de esteira cai melhor, mas isso não anula o fato do sentido empregado estar correto.
Não só existe a palavra sumário em português, como existe o verbo sumarizar e sumariar. Ambos significam resumir e sintetizar, fazer um sumário, valendo ainda uma espiada no dicionário para sumariado, sumariante e sumariador.
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