estado da arte

Censura ou Horário??

June 19th, 2007

Quando você pesquisa o nome de programas de televisão nos Estados Unidos, geralmente encontra dois números do lado. Um exemplo: The Apprentice 8/7c. O mesmo vale se você traduz material sobre esses programas :)
Li em alguns sites que a numeração indica a censura do programa… não faz sentido.
Essa é uma indicação do horário, mas como há fusos nos Estados Unidos, eles indicam dois horários diferentes.

Fica a dica da página de fusos americanos na Wikipedia, com uma boa explicação e as abreviaturas que ajudam na orientação dos horários.

8/7c funciona como 8h00 ET = east coast time/  7h00 CT = central time

Pulando a carroça

September 18th, 2006

Outro dia, “zapeando” na televisão, alguém disse que o outro não deveria “jump the gun“. Parei para pensar em como dizer isso em português, e acabei chegando a “não colocar a carroça na frente dos bois“. Engraçado pensar na diferença de culturas. Para dizer que alguém está apressado demais, fazendo as coisas na ordem errada, uns usam armas de fogo, outros usam métodos de locomoção dos tempos coloniais. Melhor ainda é imaginar um tradutor apontando armas para uma carroça de milho ou fazendo os bois pularem canhões do século XVI.

Whose idiomatic expression is it anyway? II

May 11th, 2006

E cá estamos nós, novamente usando e abusando da trupe de Drew Carey para analisar algumas palavras interessantes. É pouco provável que você veja um streaker por aqui, mas eu não duvido que esbarre com um enquanto estiver no Central Park de Nova Iorque jogando milho para os pombos. Especialmente se houver uma câmera de televisão ligada. Afinal tanto lá como cá, todos querem ser celebridades, mesmo que sejam conhecidos por seus, hum, “atributos” e não por seus, ãhn, “talentos”.

No seriado Whose line is it anyway?, Colin Mochrie demonstrou de forma hilária um dos sentidos do verbo streak: to run naked through a public place, que nada mais é do que correr pelado em público. Você consegue imaginar a atuação de Mochrie como um streaker?

Mochrie, aliás, tem a pronúncia parecida com mockery: uma imitação irônica. Faz sentido!
Mas cuidado! Quando estiver analisando significados nunca descarte uma segunda leitura. Se num livro de espionagem o autor usar “an airplane streaking across the sky“, isso não quer dizer que os passageiros estão pelados na janela se exibindo, mas sim que o avião cruzou o céu rapidamente.

Whose idiomatic expression is it anyway? I

April 28th, 2006

Atualmente, um dos melhores programas para se entrar em contato com expressões idiomáticas é o “Whose line is it anyway”? do comediante Drew Carey e seus comparsas. O nome significa algo como “de quem mesmo é essa fala?”, o que explica o espírito da brincadeira.
No programa, os atores precisam improvisar e criar “tipos” a partir de frases ou idéias sorteadas ou sugeridas pela platéia, ao vivo, deixando tudo mais espontâneo e aumentando a chance do espectador se deparar com situações inusitadas. Como não podem alterar sua aparência, os comediantes são obrigados a recorrer a jeitos de falar e expressões para caracterizar os personagens.

Outro dia ouvimos a expressão “All that and a bag of chips”, o que gerou boas risadas com a legenda. Logo imaginamos alguém dizendo “Eu sou tudo isso e mais um saco de batatas“! Por aqui, chamar alguém de saco de batatas não é exatamente um elogio e ninguém diria isso para se gabar. Mantendo o paralelo com comidas típicas, em uma conversa de bar você diria que fulano “se acha o rei da cocada preta“, ou como anda circulando nas academias, “fulano se acha o último biscoito do pacote“.

Como você pode ver, as frases variam de país para país, mas a falta de modéstia é universal.

A importância de uma boa legenda

April 10th, 2006

Quando você vai ao cinema ou assiste um seriado legendado quietinho em casa usa dois sentidos: visão e audição. Algumas pessoas conseguem aproveitar o que estão ouvindo e ainda comparar com o que estão lendo, a famosa legenda. Não é apenas ouvir o som, mas registrar e decodificar a informação comparativamente. Isso pode promover um certo aprendizado, mas também pode levar a erros perigosos. Então atenção para não cair neles.
Só fui me dar conta disso outro dia na esteira da academia.

Costumo correr vendo Telecine às 7 horas da manhã. O canal não reserva os melhores filmes para esse horário, é verdade, mas a situação piorou muito quando ele saiu do ar e fui obrigado a assistir Globo News no close caption.
A reportagem que mostrava o Lula “inaugurando” a expansão de uma universidade apareceu no close caption como “o presidente Lula inaugurou hoje a expansão da adversidade em São Paulo”. Tomei um susto. Em seguida, uma reportagem em Brasília comentando da crise política gerou um “o advogado de José Dirceu foi o mais erótico de todos”. Ainda estou pensando qual seria a palavra. Metódico?

É engraçado, falando assim, mas acontece.

O interessante para se observar é que mesmo sem a palavra original e o som na televisão, foi possível identificar o erro. Um erro gritante facilita, eu concordo, nem queria saber os que eu não contei, mas há um elemento importante nisso tudo, que serve como facilitador da compreensão e eixo para uma boa “tradução”: o contexto.